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sexta-feira, 27 de abril de 2018

Também és do Pai.

És sim e ainda bem. 

Estás doente, tenho dormido contigo durante as sestas e à noite, mas é sexta-feira e é dia de ires para o Pai. Ainda bem. 

Ainda bem que vais porque o Pai também é aquele quem trata, que te dá mimos e que faz brincadeiras contigo para tomares os medicamentos. 


Pai também é aquele que, durante a noite, não dorme para ver se tens febre ou não. Ou, no teu caso, se estás a tremer de frio porque a febre subiu ou se estás a fazer uma nova convulsão. 

Pai é aquele que te pergunta se queres água porque estás doente e tens de beber água para não desidratar e é também aquele que pergunta o que queres almoçar e que faz a tua comida preferida quando estás doente.

Pai é aquele que olha para ti e pensa "se pudesse ficar eu doente em vez dela...". 

Por isso hoje estás doente e vais para a casa do Pai. Mesmo que eu não consiga deixar de pensar que gostaria de te ter juntinha a mim e ser eu a cozinhar para ti (o melhor que consigo) ou a dar-te água. 



O colo da mãe é bom por ser o da mãe e não por ser o único. E o do pai o mesmo. 

Vou dormir de certeza na mesma a pensar em como estarás, mas com mais forças para não dormir no dia seguinte. 

Hoje é dia da casa do Pai, amanhã já voltas. 


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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Gostava que os médicos dissessem todos a mesma coisa.

Já não é a primeira vez que depois de uma situação estar aparentemente resolvida me apercebo do peso que tinha em cima dos meus ombros. Primeiro foi a mudança de escola da Irene (enganei-me na primeira escola ou, melhor, tive infelizmente uma má experiência) e agora também com esta questão dela ter que ser operada para por tubinhos, tirar amigdalas e adenóides. 

Se, para mim, os médicos sempre representaram um conforto e descanso e tudo o que diriam seria lei, aos poucos tenho vindo a ter mais algum espírito crítico baseando-me, claro, em várias experiências pelo meio. Há médicos que falam de coisas que não lhes competem, causando confusão em todo o lado por usarem a credibilidade que têm numa área para poderem falar de outras e isso deixa-me confusa e com medo. 

Fotografias: Yellow Savages


Havia uma frase que usava muito nos testes de história ou de filosofia para encher uma chouriçada e que era: "o ser humano é falível e, por isso tudo o que daí advenha não poderá ser perfeito". Não tinha tantas palavras, acho que quando era mais nova, tinha mais inspiração. 

Mais do que a culpa ser dos médicos é o meu desejo que fosse tudo simples e directo. Gostava que para cada pergunta só houvesse uma resposta e que toda a gente conseguisse ver o mesmo. Claramente que retiraria o lado interessante das coisas, o lado, lá está, filosófico, emocional, tudo, mas poupar-nos-ia muito tempo e muitas preocupações. 

Nisto da medicina, neste caso da Irene pelo menos, em que foi aconselhada vivamente a retirar e a  pôr coisas por ter muito ranho e ressonar, também há o seu quê de pessoal. Medir o incómodo da criança face o desconforto da cirurgia e respectivo recobro, ter em conta a recuperação física e também, já agora, a violência psicológica, não é unânime. Se compensa ou não talvez só diga respeito aos pais decidir e sabem que mais? Às vezes preferia não ter opção. Claro que aqui pelo meio também há o lado positivo: o alívio, um sono finalmente descansado, o  conforto de saber que os pais a podem ajudar nos seus problemas caso optassemos pela opção. 

Escolher implica pensar, pensar implica ter responsabilidade, responsabilidade implica culpa e, nas nossas mãos, a saúde e o conforto da pessoa mais importante da nossa vida. Cá estamos nós, sem conhecimentos "na área", devorando a internet e perguntando a todos os conhecidos com médicos na família opiniões e acabamos sempre por ficar mais confusos. 

Neste momento estamos a usar a velha técnica da "segunda opinião para ouvirmos o que queremos ouvir". Encontramos um segundo médico, igualmente respeitado que, olhando para os mesmos exames, desvalorizou tudo e disse que não é necessária nenhuma intervenção. E, aqui pelo meio, toda uma vontade de dar ouvidos a procedimentos alternativos - cuja palavra me deixa desconfortável ainda - mas que talvez devam ser sempre considerados. Tenho já para ler o livro Adenóides sem Cirurgia em casa, por exemplo.

Por isso, num mundo de sonho, tudo seria concreto. Não, tudo não, mas pelo menos no que tocasse às doenças e desconfortos, sim, isso agradecia. 

Não faço ideia se é este ou o outro médico que está certo, mas sei que se a Irene estivesse mesmo muito desconfortável que não duvidaria do que teria que fazer. Talvez só se deva intervir quando se tem a certeza. 





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E quando vamos trabalhar com eles doentes?

Não sei se é sentimento geral mas a mim parte-me o coração. Sinto como se estivesse a falhar. Como se houvesse uma ferida para lamber e eu deixo-a exposta e desamparada. Calma, pareço demasiado dramática e fatalista, mas estas metáforas assentam na perfeição. 

Não gosto. Não gosto de não estar. Claro que sei que fica bem entregue (com pai ou avós, caso tenham folga ou possam), mas sinto ser contra-natura, não sei bem explicar. Se calhar os pais sentem o mesmo.

Hoje estou a chegar ao trabalho e a Luísa ficou em casa, porque estava queixosa e chorosa a apontar para a anca (coisa que até agora nunca fez e parecia estar a melhorar). Nem sei bem o que isto significa. Sinto que não temos descanso. 

Ao trabalho. 



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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

A Luísa já anda! E dança!

Quem passa por um susto como o que passámos sabe dar valor a cada conquista!

A Luísa não só anda, ainda que um bocadinho coxa, como já dança!

E é uma delícia vê-la a ganhar forças de novo e a dançar com o jeitinho que lhe é característico :) Foi um fim-de-semana maravilhoso. Cheio de luz!

Viram os stories? 🙏

Boa semana!!!❤️






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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Já sabemos o que a Luísa tem!!!

Desabafei aqui. Andávamos maluquinhos sem saber o que teria a Luísa. Andou a coxear uma semana e tal até chegar a um ponto em que mal se punha de pé. Fomos a dois ortopedistas pediátricos de referência, no privado, fez raioX e nada. Podia ser várias coisas, pediram-nos que esperássemos. Um dos médicos, deu-nos o telefone, caso piorasse. Piorou. Passou de coxear para não ter sequer força na perna (parecia ter choques eléctricos - sabem quando alguém vem por trás e dá com o joelho por trás do nosso?). Ligaram da creche muito preocupados "hoje não aguenta de pé". Frase que me cortou o coração. Resolvemos ir às urgências, mais vale a mais do que menos. Precisava de um nome. Saber o que era. Descartar coisas piores. É legítimo. 

Pediatra. RaioX. Ortopedista. Ecografia. Ortopedista. 

Três horas e tal depois, estavámos a caminho de casa com um nome: sinovite transitória da anca. E com esse nome, um alívio tremendo. 
Não adorei o facto de me sentir julgada por estar ali, depois de ter estado com o "maior especialista na área". Ouvi que não era nada duas vezes. Uma antes da ecografia, que sugeri, e uma depois. Percebo que isto possa ser equiparado a uma constipação, para quem lida com coisas mais graves todos os dias, mas É alguma coisa e ainda bem que, ao mesmo tempo, "não é nada". 

Já está a anti-inflamatório e vai ficar boa num instante.

Obrigada a todas pelo carinho todo, mensagens de preocupação, sugestões e até ajuda de médicas! Não me esquecerei tão cedo desta onda de amor, nem quando duvidar desta coisa de ter um blogue! Obrigada por terem tirado um bocadinho do vosso tempo para me confortarem. Impagável. 




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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Algo de errado se passa com a Luísa...

Estamos preocupados, a verdade é essa. Já estive para escrever sobre isto na semana passada, mas fui adiando, talvez por nem querer materializar os meus receios. 

A Luísa anda a coxear. A sentar-se mais do que o habitual. A pedir mais colo. 
A Luísa não chora, não se queixa de dor, não aponta para nenhum sítio em especial. 
A Luísa não esteve doente recentemente. Nem deu nenhuma queda grande recentemente, que déssemos conta. A radiografia à bacia, que fez ontem, não deu nenhum sinal de alarme. O pé esquerdo, que põe mais para dentro, e a perna, na qual parece ter menos força e por isso não a apoia totalmente, deram-nos sinal de alarme. 

Já fomos a dois ortopedistas pediátricos de referência no espaço de uma semana e nenhum dos dois nos deu um veredicto mais conclusivo. O último deu-nos o telemóvel caso algo mudasse no estado da Luísa (fizesse febre ou deixasse de comer ou...) ou tivéssemos alguma dúvida entretanto ou receio entretanto. Um amor. Nem uma semana tinha passado da primeira consulta, com outro médico, que nos explicou tudo tudo tudo com imensa calma, mas que, não vendo melhorias, não nos descansou. 

Agora temos duas a três semanas à nossa frente para ver se a Luísa melhora e deixa de coxear. Se tal não acontecer, voltaremos e faremos novos exames, talvez com anestesia geral. Talvez.

Como devem imaginar, não tendo conseguido ainda um diagnóstico, tivemos de ir parar ao Doutor Google. Sim, já sei, mas é difícil resistir. Claro que já chegaram até nós hipóteses que nem se pode pensar nelas por um segundo senão o mundo desaba. 

Temos feito o exercício de respirar fundo e esperar. Não há de ser nada. Não há de ser nada. Uma pequena fissura que irá ao sítio. Mas se, ao menos, se encontrasse já qualquer coisa... um entorse, algo, algo. Saber o que tem. Duas, três semanas. Não há de ser nada.

Esperaremos sem desesperar. Não há de ser nada.







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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Adeus adenóides, amigdalas e olá tubinhos?

Ahhh... Não era sobre isto que queria escrever hoje. Queria escrever sobre algo mais coiso, um post que ficasse girote, com a extensão suficiente para parecer que foi super cuidado e com uma fotografia com alta qualidade. Sinceramente, estou com uma dor de dentes gigante e a minha criatividade foi-se.  Estou com a destreza mental de quem quer que tenha pensado no nome "Ai que giro" para a cadeira para transportar velhotes escadas cima e abaixo. Não estou a gozar, acho que é algo do género, vi uma vez e nunca mais me esqueci. Se calhar, tenho de dar a mão a torcer (ou o braço -  torçam-me qualquer coisa que pode ser que me alivie a dor de dentes) porque ainda me lembro do nome e do anúncio e... nem sequer estou interessada em comprar. 

Já vos tenho vindo a contar que a Irene tem otites serosas e que, quando piora, deixa de ouvir bem, também respira mal durante a noite, chegando a fazer apneia (noto quando está entupida) e todos os médicos dizem que ela tem umas amigdalas enormes. Hoje fui a um médico altamente recomendado e, infelizmente, depois de um raio x, um exame de audiometria, a recomendação foi "Tira-se tudo: amigdalas e adenóides e ainda se põe já os tubinhos". 

Já temia que a recomendação viesse a ser esta, já tinha pensado muito no assunto e já tinha decidido que sim, se fosse preciso, tirava-se os adenóides, mas assim "tudo de enfiada"... Cada vez oiço falar mais disto, de imensas crianças que tiram isto e aquilo... 

Tenho de ler sobre o assunto, mas custa-me que isto seja tão recorrente. Andam assim tantas crianças a serem operadas para tirar adenóides e amigdalas e a por tubinhos? Tanto oiço histórias de "e nunca mais teve problemas" como oiço de mães que decidiram não fazer e que, uns tempos depois, por causa do Verão ou o que fosse, já estava tudo bem e ainda bem que não tinham decidido operar. 

Lembro-me da altura da gravidez em que toda a gente diz tudo (porque há gente para tudo) e simplesmente ficamos assustadas. Eu estou assustada. Com consciência que é um "não problema", que há coisas muito piores, mas como se tomam decisões destas? 




Confio na pediatra que me recomendou o médico. Toda a gente fala deste médico até por ser pouco interventivo, mas tem-se sempre de pedir uma segunda opinião, não é? Acho que me custa dizer que sim e fazê-la passar "por tudo" assim. 

O pai da Irene lembrou-se que havia uma maneira de medir a qualidade de sono dela, a "intensidade da apneia". Além de pedir uma segunda opinião, acho que vou fazer esse exame para ter uma noção mais real do conforto que anda a custar à Irene manter-se com o que o corpo dela decidiu que era importante ter (faz-me confusão andarmos assim a tirar coisas, especialmente a crianças, apesar de ser perfeitamente ignorante em relação a isto). E vou tentar converter decibéis em percentagem para saber quanto da audição dela está afectada na prática... 

Como funcionam vocês nestes casos? 



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domingo, 21 de janeiro de 2018

Há alguma mãe que não se sinta culpada quando eles ficam doentes?

Isto faz mesmo parte do pacote, não faz? 

Sempre que a Irene fica doente, começo a rever em câmera lenta todas as decisões que fui tomando por ser - penso eu, nestas alturas - demasiado optimista. 

Começo a duvidar se poderia estar a fazer algo diferente e ponho tudo, mas mesmo tudo em causa. E, além de estar exausta por ela estar doente e já pela vida que levamos no geral (cuidar da miúda completamente sozinha não é fácil, como muuuitas de vocês saberão), ainda me martelo toda com a culpa. 

Que parvoíce isto da culpa.

Os miúdos ficam doentes acontece por mil e uma razões, muitas delas que têm 0 que ver se os lembrámos de vestir o casaco ou não. Ou se os devíamos ter inscrito na natação... 

Vamos sempre encontrar a razão que achamos merecer. 

Fotografia por Yellow Savages 


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